COMUNICADO À IMPRENSA

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Optimização Mitocondrial Pode Estar Relacionada com a Longevidade Humana

Boston, USA – 10/10/05 – Um estudo feito por um cientista português revelou provas de uma optimização gradual da mitocôndria--a central energética das células--durante a evolução humana que pode estar associada com a evolução da nossa longevidade e inteligência. O trabalho feito por João Pedro de Magalhães da Universidade de Harvard nos Estados Unidos foi publicado na última edição da revista Journal of Molecular Evolution.

O investigador comparou o genoma mitocondrial de vários primatas e encontrou vários genes nos quais a variante, também chamada alelo, normal do gene em primatas não humanos é a mesma que causa doenças em seres humanos. Os resultados estão sujeitos, no entanto, a várias interpretações. "Claramente," afirma João Magalhães, "alguns destes alelos que provocam doenças em seres humanos não têm o mesmo efeito noutros primatas, o que significa que outras modificações devem ter ocorrido de forma a evitar os efeitos prejudiciais destes alelos. Mesmo assim, estas modificações secundárias podem indicar diferenças adaptativas entre seres humanos e outros primatas a nível da mitocôndria." Além disso, o investigador encontrou alelos em primatas não humanos associados com doenças cujo aparecimento em seres humanos ocorre na idade adulta. É possível que estes alelos sejam significativos do ponto de vista biológico mas não dêem origem a doenças noutros primatas devido à sua menor longevidade. Durante a evolução humana, estes alelos tiveram de ser excluídos da população, o que levou a uma optimização da mitocôndria humana.

Os seres humanos não são só os primatas mais inteligentes, mas são também aqueles com maior longevidade e estes resultados podem assim indicar uma optimização gradual de proteínas mitocondriais durante a evolução humana como forma de abrandar certas formas de neurodegeneração. "É provável que a longevidade e inteligência humana evoluíram em conjunto. Aliás, sabemos que certos primatas desenvolvem doenças neurodegenerativas em idades muito inferiores aos seres humanos. Uma vez que as mitocôndrias estão associadas a doenças neurodegenerativas e o próprio genoma mitocondrial pode estar ligado ao envelhecimento, estes resultados podem indicar uma selecção natural sobre a mitocôndria humana que esteja associada à inteligência superior dos seres humanos e à sua maior longevidade." Mesmo assim, na opinião de João Magalhães, são precisos estudos mais detalhados para demonstrar esta hipótese.

O cuidado do investigador é justificado, uma vez que o genoma mitocondrial contém apenas uma parte de todas as proteínas mitocondriais. Além disso, é necessário ainda determinar com mais precisão a importancia biológica destes resultados. "Os resultados mostram um padrão geral, estatisticamente significativo, de selecção na mitocôndria que pode estar relacionado com a longevidade humana, mas não nos dizem quais as modificações moleculares que são biológicamente significativas. Para tal são necessários outros métodos mais detalhados e mais informação genómica ou biológica."

João Pedro de Magalhães, Licenciado em Microbiologia e Doutorado em Biologia do Envelhecimento, é originário do Porto e trabalha em Genética do Envelhecimento no Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard em Boston nos Estados Unidos.

Para obter o artigo: Journal of Molecular Evolution, volume 61, páginas 491-497.
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